
Barômetro Internacional 2026: IA e o futuro das competências
Pesquisa da Cegos Group contou com 6 mil profissionais em 11 países. O Barômetro Internacional 2026 revela por que a velocidade de aprendizagem virou prioridade do RH.
O recorte brasileiro do Barômetro Internacional 2026
A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar parte da rotina das empresas, e o Barômetro Internacional 2026 ajuda a dimensionar esse movimento. Seja na automação de processos, na análise de informações ou no apoio à tomada de decisões, a tecnologia já influencia diferentes áreas das organizações e passa a redefinir a forma como as pessoas trabalham, aprendem e desenvolvem novas competências.
Essa percepção aparece de forma clara no levantamento do Cegos Group, apresentado no Brasil pela Crescimentum. Entre os profissionais brasileiros de Recursos Humanos, 76% apontam a inteligência artificial e a automação como a principal transformação capaz de impactar as competências nos próximos dois anos, percentual superior às médias registradas na América Latina, na Europa e no cenário global.
Os colaboradores compartilham uma visão semelhante. Quando projetam o mercado para 2035, 61% acreditam que o trabalho será ainda mais orientado pela tecnologia, reforçando a percepção de que a transformação digital continuará moldando as relações de trabalho na próxima década.
Mas os resultados do levantamento mostram que o impacto da inteligência artificial vai além da adoção de novas ferramentas. A tecnologia impulsiona uma mudança mais ampla, que envolve a forma como as empresas desenvolvem talentos, organizam a aprendizagem e preparam suas equipes para responder a um ambiente de negócios em constante evolução.
IA e aprendizagem corporativa no Barômetro
Se o trabalho está mudando, a aprendizagem também precisa acompanhar esse movimento. A pesquisa mostra que a inteligência artificial deixa de ser apenas um tema presente nas capacitações para assumir um novo papel: o de ferramenta capaz de apoiar a própria experiência de aprendizagem.
Essa transformação já pode ser observada nas organizações brasileiras. 76% dos profissionais de Recursos Humanos afirmam utilizar ou planejar utilizar inteligência artificial generativa em programas de treinamento, enquanto 66% pretendem aplicar a tecnologia para personalizar experiências de aprendizagem, tornando o desenvolvimento mais alinhado às necessidades de cada colaborador.
Do lado dos profissionais, a IA também passa a integrar a rotina de atualização. 61% afirmam utilizar inteligência artificial para aprender, seja para buscar informações, aprofundar conhecimentos ou apoiar atividades do dia a dia. Ao mesmo tempo, 30% relatam desenvolver essas habilidades principalmente por meio da experimentação, enquanto 36% gostariam de ampliar sua formação sobre o tema, indicando que ainda existe espaço para iniciativas estruturadas de capacitação.
Embora a tecnologia ganhe espaço, ela não substitui aspectos considerados fundamentais para o aprendizado. Os colaboradores continuam valorizando autonomia sem abrir mão do suporte humano. Para 65%, é importante acessar conteúdos em qualquer momento e dispositivo, enquanto 56% destacam a importância do acompanhamento de tutores ou facilitadores durante a jornada de desenvolvimento.
A combinação entre tecnologia, flexibilidade e acompanhamento mostra que a aprendizagem corporativa caminha para modelos mais personalizados, nos quais a inteligência artificial amplia possibilidades, mas continua dividindo espaço com experiências colaborativas e orientação especializada.

Time to Competency, o conceito central do Barômetro 2026
A adoção da inteligência artificial traz um desafio que vai além da implementação de novas tecnologias. À medida que funções evoluem, processos são redesenhados e novas habilidades passam a ser exigidas, cresce também a necessidade de preparar profissionais na mesma velocidade em que essas mudanças acontecem.
Essa preocupação aparece de forma consistente entre os líderes de Recursos Humanos. 91% afirmam que o desenvolvimento de competências é estratégico para suas organizações, demonstrando que a aprendizagem passou a ocupar um papel central na preparação das empresas para o futuro do trabalho.
Apesar desse consenso, a pesquisa revela uma diferença entre a percepção das organizações e a experiência dos colaboradores. Enquanto 77% dos profissionais de RH acreditam que suas empresas respondem com agilidade às novas demandas de competências, 41% dos colaboradores afirmam que os treinamentos chegam tarde demais para atender às suas necessidades.
Esse contraste ajuda a explicar um dos conceitos centrais do Barômetro: o Time to Competency, que representa o tempo necessário para que um profissional desenvolva uma nova competência e consiga aplicá-la de forma efetiva no trabalho. Em um cenário em que tecnologias e modelos de negócio evoluem continuamente, reduzir esse intervalo passa a ser tão importante quanto identificar quais habilidades precisam ser desenvolvidas.
A preocupação também se reflete nas expectativas para os próximos anos. O levantamento mostra um crescimento na percepção de que diferentes funções poderão enfrentar obsolescência de competências, reforçando a importância de estratégias que promovam atualização contínua e preparação permanente das equipes. Em outras palavras, o desafio deixa de ser apenas ensinar algo novo e passa a ser garantir que esse conhecimento chegue às pessoas no momento em que ele realmente faz diferença.
A resposta das empresas nos dados do Barômetro Internacional
À medida que a necessidade de desenvolver competências se torna mais urgente, as organizações também começam a rever a forma como estruturam a aprendizagem. O foco deixa de estar apenas na oferta de treinamentos e passa a incluir experiências mais contínuas, flexíveis e conectadas aos desafios do dia a dia.
Entre os profissionais de Recursos Humanos, 70% afirmam que a aprendizagem deve estar integrada ao fluxo de trabalho, permitindo que o desenvolvimento aconteça durante a execução das atividades. Outro destaque é a valorização da aprendizagem prática: 59% apontam o on-the-job learning como uma das principais tendências, reforçando a importância de aproximar o desenvolvimento da realidade vivida pelas equipes.
A inteligência artificial também ganha espaço como apoio às estratégias de aprendizagem. O levantamento mostra que 63% das organizações utilizam ou planejam utilizar IA generativa em programas de treinamento, enquanto 27% afirmam terem implementado essa tecnologia para personalizar treinamentos, adaptando conteúdos às necessidades de cada profissional.
Mesmo com o avanço das ferramentas digitais, o estudo indica que o desenvolvimento continua apoiado em diferentes formatos. O treinamento presencial segue relevante para parte das organizações, ao mesmo tempo em que iniciativas como aprendizagem colaborativa, e-coaching e experiências personalizadas passam a complementar as estratégias de desenvolvimento.
Os resultados mostram que a aprendizagem corporativa caminha para modelos mais integrados, nos quais tecnologia, prática e personalização deixam de competir entre si e passam a atuar de forma complementar no desenvolvimento de competências.
Até 2035, o que o Barômetro 2026 aponta que a IA não substitui
À medida que a inteligência artificial assume tarefas antes exclusivamente humanas, o relatório aponta para onde as empresas deverão direcionar seus esforços de desenvolvimento nos próximos anos. Ao serem questionados sobre o principal desafio da área de treinamento até 2035, 23% dos colaboradores e 21% dos profissionais de Recursos Humanos citam o fortalecimento de competências que distinguem pessoas de máquinas, como pensamento crítico, criatividade e julgamento ético, como prioridade número um.
Essa resposta aparece à frente de outras igualmente relevantes: garantir a empregabilidade de longo prazo diante das mudanças (citada por 20% dos dois públicos) e gerir competências por meio de dados e inteligência artificial (18% dos colaboradores e 19% dos profissionais de RH). Essa hierarquia reforça que a tecnologia sozinha não resolve o desafio central das organizações.
Preparar lideranças e equipes para interpretar contexto, tomar decisões complexas e sustentar relações de confiança continua sendo tarefa humana, mesmo em um ambiente cada vez mais automatizado. Nos próximos anos, a diferenciação competitiva não estará apenas na velocidade de adoção da inteligência artificial, mas na capacidade de desenvolver, na mesma proporção, aquilo que permanece genuinamente humano no trabalho.
Esse equilíbrio entre adoção tecnológica e desenvolvimento humano é justamente o que o Barômetro Internacional 2026 mede em cada um dos 11 países pesquisados. O estudo detalha ainda como a percepção sobre obsolescência de competências varia entre gerações e níveis hierárquicos, recorte que não coube neste artigo. Faça o download do Barômetro Internacional 2026 e confira o estudo na íntegra.

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